Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos

Olá, queridos leitores!
Hoje, 30 de janeiro, como quase ninguém sabe inclusive eu mesma descobri recentemente, comemoramos o “Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos”.

As primeiras histórias em quadrinhos no Brasil, publicadas no século XIX, eram no formato de charge, feitas por Manoel de Araújo Porto-Alegre. Autor que, mais tarde, em 1844, cria uma revista de humor com políticos.
Em meados de 1860, Angelo Agostini continuou publicando sátiras, ficando conhecido por seus personagens “Zé Caipora” e “Nhô Quim”.

A primeira revista em quadrinhos do país foi “O Tico-Tico”, lançada em 1905 e criada pelo desenhista Renato de Castro.
Anos depois, o jornal “A Gazeta” cria um suplemento de quadrinhos, baseado no modelo de jornal americano, que ganhou visibilidade em 1934, devido a criação do suplemento infantil, por Adolfo Aizen, que publicou também as primeiras tiras de aventura “Flash Gordon” no jornal “A Nação”. O suplemento infantil possui publicações brasileiras e estrangeiras.
Nessa época, Roberto Marinho, do jornal “O Globo” recusou Aizen por achar o custo dos suplementos muito alto, mas, em 1937, volta atrás e lhe propõe uma parceria. Desta vez, Aizen que recusa a ideia e Marinho resolve então lançar “O Globo Juvenil”, com, além dos conteúdos de Djalma Sampaio e Antonio Callado, adaptações de “O Fantasma de Canterville” e “O Mágico de Oz” por Nelson Rodrigues.
Aizen então cria a revista “Mirim”, primeira no formato comic book. A “Gazetinha” começa a publicar “A Garra Cinzenta”, de Renato Silva, até 1939, as tiras de Nino Borges e Belmonte e diversas adaptações feitas por Messias de Mello.
“O Globo” lança então “O Gibi”, concorrendo com “O Mirim”, e com o tempo o nome passa a ser sinônimo de histórias em quadrinhos.

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Além das tiras, os nossos queridos super-herois da DC Comics também apareceram nos suplementos. Começando por Slam Bradley, criados pelos futuros criadores do Superman, foi publicado na revista “O Mirim”, em maio de 37. Em dezembro de 38, Superman foi publicado em “A Gazetinha”, em novembro de 40, foi publicado Batman em “O Lobinho” (revista de Aizen para evitar que Marinho utilizasse o nome “O Globinho”).
Da Timely Comics (uma das empresas que originaria a Marvel Comics), “O Gibi” publicou “Namor” em abril de 40 e “O Guri” publicou “Capitão América” em junho de 43.

Já na década de 60 surge “Pererê”, de Ziraldo e “A Turma da Mônica”, de Maurício de Souza.
Em setembro de 1963 é criada a “Folhinha”, por Lenita Miranda de Figueiredo auxiliada por Maurício de Souza, na “Folha de São Paulo”.
Em 1967 a EBAL (Editora Brasil-América) lança os quadrinhos da Marvel Comics, devido a Rede Bandeirantes ter comprado a série de desenhos animados “The Marvel Super Heroes”. A editora, então, lançou os personagens que apareciam nas animações: Hulk, Thor, Capitão América, Namor, Homem de Ferro e, dois anos depois, Homem Aranha. Outras editoras menores lançaram X-Men, Surfista Prateado, Capitão Marvel e Nick Fury.

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Na década de 70 predominavam os quadrinhos infantis com Maurício de Souza e quadrinistas que produziam histórias de personagens da Disney, como Zé Carioca, e personagens da Hanna-Barbera que a editora adquiria os direitos.
A Bloch Editores assumiu os títulos da Marvel no Brasil e, diferente da EBAL que tinha apenas alguns, a Bloch assumiu todos os títulos, impedindo que editoras menores publicassem. Publicou também os quadrinhos de terror que a Marvel Comics possuia, abrindo espaço para a produção nacional desse gênero.
Quadrinhos de humor também marcaram essa época, com o surgimento da revista “Grilo”, que trazia títulos como “Peanuts”, mas a linha da revista é substituída e passam a ser publicadas histórias adultas. Também no gênero de humor, surge a revista “Patota”, que publica histórias de “Mafalda”, “Snoopy”, “Hagar, O Horrível”, “Pernalonga”, entre outros, aos domingos.

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Na década de 80 é lançado “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo.
A Editora Abril assume totalmente os títulos da Marvel e, no mesmo ano de 83, consegue os direiros dos personagens da DC. Lança o “Dicionário Marvel”, uma ou duas páginas publicadas em alguns títulos da Marvel, para que os leitores entendessem melhor as histórias após tantas mudanças de editora.
Em 86, a Abril começa a publicar histórias mais adultas. Inicialmente utilizava os títulos adultos da Marvel, depois passou a públicar títulos de outros artistas, brasileiros e europeus. Em 88, “Os Trapalhões” passa a ser publidado pela editora.
Também em 1988 é publicado o primeiro mangá original do Japão, “Lobo Solitário”, pela Cedibra.

Na década de 90 houve a realização da 1ª e 2ª Bienal de Quadrinhos no Rio de Janeiro e a 3ª em Belo Horizonte, dando visibilidade ao modelo de história.
Contou com a participação de inúmeros quadrinistas, grandes nomes nacionais e internacionais. Além disso haviam debates, cursos, filmes, RPG e vários tipos de atividades. Foi nessa época que o gênero se firmou no Brasil, revistas informativas começaram a surgir devido ao sucesso de “Os Cavaleiros do Zodíaco” e outros animes que passavam na TV aberta.
Em 1999 surge a Conrad Editora, que publica o primeiro mangá no formato oriental (com a leitura da direita para a esquerda): “Gen Pés Descalços”.

Em 2000 e Editora Abril lança uma linha de títulos da Marvel e da DC em revistas de papel especial, com capa cartonada e formato americano, contendo 160 páginas. Porém o novo formato não obteve muitas vendas devido ao considerado alto preço de R$9,90, ah, se fosse hoje em dia…
A Panini Comics, que já licenciava internacionalmente os títulos da Marvel, passa a cuidar deles no Brasil também em 2002. A Abril então resolve investir na DC Comics, porém, no final do mesmo ano, a Panini assume os títulos da DC também.

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André Forastieri em parceria com a Ediouro cria o selo Pixel Media, que publica os títulos “Corto Maltese”, “Spawn” e outros da Vertigo, Wildstorm e America’s Best Comics, pertencentes a DC Comics. Queriam assumir todos os títulos da DC, pertencentes a Panini, mas Forastieri vendeu sua parte para a própria Ediouro e saiu da sociedade. A editora, que tinha o interesse na Conrad, então desiste dos títulos da DC, que foram publicados integralmente pela Panini.
Finalmente, em 2007 a Panini passa a publicar também os títulos da “Turma da Mônica”, que até então pertenciam a Editora Globo. Em 2008 a história ganha uma versão adolescente, a “Turma da Mônica Jovem”, em formato de mangá.

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Enfim, só temos que agradecer a todas essas pessoas lindas que trouxeram para o país as histórias que hoje nós tanto amamos e que nos encantam e envolvem de formas tão singulares.
Um feliz Dia das Histórias em Quadrinhos!

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